Advogado acusado de matar médica em Maringá fica em silêncio durante interrogatório; delegada tentou ouvir investigado
"Entrou mudo e saiu calado" João Vitor Domingues Romeiro permaneceu cerca de cinco minutos na sala da Delegacia da Mulher e não apresentou sua versão sobre a morte de Gassi Paola de Souza Mazia. Laudo aponta que médica sofreu 14 golpes de faca e esganadura.

O advogado, João Vitor Domingues Romeiro, de 25 anos, acusado de matar a médica, Gassi Paola de Souza Mazia, de 37 anos, permaneceu em silêncio durante o interrogatório realizado nesta terça-feira (15), na Delegacia da Mulher de Maringá.
O investigado foi levado da Cadeia Pública de Maringá até a unidade especializada da Polícia Civil, onde seria ouvido pela delegada, Paloma Batista, responsável pela investigação. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, João Vitor permaneceu aproximadamente cinco minutos na sala e deixou o local sem prestar depoimento.
De acordo com a delegada, o investigado recebeu a oportunidade de apresentar sua versão sobre o crime. Orientado pelos advogados, porém, exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.
Ainda segundo a autoridade policial, João Vitor informou que está impossibilitado de falar. Diante disso, a delegada ofereceu também a possibilidade de que o interrogatório fosse realizado por escrito, mas ele não aceitou.
O episódio representa a primeira oportunidade formal para que o investigado apresentasse sua versão diretamente à Polícia Civil. Até o momento, portanto, não houve interrogatório com respostas do acusado sobre a dinâmica do crime.
Médica foi morta dentro do apartamento
Gassi Paola de Souza Mazia foi encontrada morta no dia 5 de setembro, dentro do apartamento onde morava, na Avenida Itororó, em Maringá.
O corpo da médica apresentava múltiplos ferimentos provocados por arma branca. O filho do casal, um bebê de apenas oito meses, estava no imóvel quando a mãe foi encontrada morta.
João Vitor, ex-companheiro de Gassi e pai da criança, é apontado pela investigação como autor do crime. Ele foi preso após deixar o apartamento e, segundo a investigação, posteriormente teria confessado informalmente o assassinato a uma familiar em Mandaguari. A Polícia Civil também ouviu pessoas próximas ao casal, que relataram um relacionamento marcado por conflitos, ciúmes e idas e vindas.
Laudo revela 14 facadas e esganadura
Um dos principais avanços da investigação foi a conclusão do laudo da Polícia Científica.
O exame apontou que Gassi sofreu 14 lesões provocadas por golpes de faca e também apresentou lesões compatíveis com esganadura. A causa da morte foi uma hemorragia aguda provocada pelos ferimentos perfurocortantes.
Segundo informações divulgadas pela investigação, o apartamento apresentava vestígios de sangue em diferentes cômodos, além de facas que teriam sido utilizadas no crime. A cena foi descrita pelas autoridades como extremamente violenta.
Investigação aponta não aceitação do fim do relacionamento
De acordo com informações apresentadas pelo Ministério Público do Paraná, a investigação trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido motivado pela não aceitação do fim do relacionamento.
João Vitor foi preso e teve a prisão preventiva decretada. Antes disso, permaneceu internado em razão dos ferimentos que sofreu e passou por procedimento médico que dificultou sua comunicação.
Com a realização do interrogatório nesta terça-feira, a Polícia Civil buscava obter diretamente do investigado uma versão para os fatos. No entanto, ele optou por não responder às perguntas.
A investigação continua sob responsabilidade da Polícia Civil de Maringá, que ainda deverá analisar provas periciais, depoimentos e demais elementos reunidos durante o inquérito.
João Vitor permanece preso e é investigado pelo feminicídio de Gassi Paola de Souza Mazia. Até o momento, ele não apresentou formalmente à Polícia Civil uma versão sobre o crime.
